Vivenciar e experimentar as oportunidades ofertadas pela educação é essencial para a formação cidadã e intelectual. No entanto, no cenário educacional
brasileiro contemporâneo, nota-se a ascensão de uma cultura do imediatismo —
marcada pela pressa, superficialidade e aversão a processos longos — que tem
comprometido significativamente a qualidade da aprendizagem nas escolas.
Diante
desse panorama, faz-se necessário analisar os impactos dessa mentalidade e
propor caminhos para superá-la. Em primeiro lugar, observa-se que tanto
professores quanto estudantes enfrentam desafios causados pela pressão por
resultados rápidos. Gestores públicos, muitas vezes mais preocupados com a
apresentação de relatórios estatísticos e índices de aprovação do que com o
aprendizado real dos alunos, acabam reforçando uma lógica tecnocrática que
desumaniza o ensino.
Nessa perspectiva, o sociólogo Zygmunt Bauman, ao conceber
a “modernidade líquida”, aponta para uma sociedade imediatista e impaciente, que
se opõe à construção gradual do conhecimento — realidade que se reflete nas
práticas escolares atuais. Ademais, pais e alunos também são influenciados por
essa lógica apressada. Muitos associam a aprovação escolar ao sucesso, mesmo que
os conteúdos não tenham sido, de fato, assimilados.
Tal mentalidade enfraquece o
interesse pelos processos pedagógicos e o desenvolvimento de competências
cruciais, como a escuta ativa e o pensamento crítico. Essa visão se opõe à
proposta do educador Paulo Freire, defensor de uma educação libertadora e
pautada no diálogo, na reflexão e no respeito ao tempo de cada aprendiz.
Portanto, é imperativo romper com a lógica do imediatismo na educação,
resgatando o valor do tempo como aliado da aprendizagem. Formar cidadãos
conscientes, éticos e intelectualmente preparados demanda investimento,
paciência e compromisso com o processo.
Como afirmou o filósofo Immanuel Kant,
“o ser humano é aquilo que a educação faz dele” — o que reforça a importância de
um ensino mais profundo, democrático e humanizado. Dessa forma, o Ministério da
Educação, em parceria com as secretarias estaduais e municipais, deve
implementar políticas públicas que incentivem metodologias pedagógicas
reflexivas e centradas no estudante, como projetos interdisciplinares e práticas
de educação emocional.
Além disso, é fundamental desenvolver campanhas de
conscientização nas redes sociais e meios de comunicação, com apoio de
influenciadores e especialistas, a fim de alertar a população sobre os prejuízos
da cultura do imediatismo. Assim, será possível promover uma educação mais
sólida, inclusiva e eficaz, capaz de formar sujeitos críticos e preparados para
os desafios do século XXI.

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